A cultura indígena está presente em nosso dia a dia. Nesta matéria sugerimos uma reflexão sobre estas influências.

Quando pensamos nas raízes do nosso país e nos primeiros povoadores que habitaram o Brasil, lembramos de Pedro Álvares Cabral e todos os outros colonizadores europeus que chegaram nesta terra no século XV. Porém, nossas verdadeiras raízes foram criadas por uma cultura que já ocupava o solo brasileiro muito antes da chegada dos portugueses: a cultura indígena, que deixou uma enorme influência nos costumes brasileiros, e que ao longo do tempo se tornou parte do dia a dia do nosso povo.

Apesar de todo o esforço dos europeus para impor seus próprios hábitos sobre os índios (que hoje são uma minoria em nosso país, ocupando só 0,4 da população brasileira) a cultura indígena sempre permaneceu forte, e em todos os aspectos intacta em nossas vidas, seja ela na culinária, na arte, na língua ou no folclore, temos as raízes indígenas muito presente em tudo que fazemos.

Culinária

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Jogos Indígenas - i.huffpost.com

A culinária brasileira traz de herança muitos costumes de diversos povos indígenas, que se alimentavam principalmente de ingredientes como a mandioca (também conhecida como macaxeira ou aipim), castanhas, coco, milhos, raízes e algumas folhas e frutos.

Além  desses ingredientes, os índios caçavam animais como anta, veados, capivaras e tatus para sua alimentação e também praticavam a pesca para se alimentar dos mais variados tipos de peixes (alguns são o pirarucu, tucunaré, traíra) tanto de água salgada como de água doce.

Na cultura indígena o preparo dessas comidas sempre foi uma atividade exercida pelas mulheres. Elas usavam do fogo para cozinhar os alimentos no “biaribi” (forno feito com um buraco no chão) ou no “demoquen” (grelha de madeira).

De todos os ingredientes, os que mais se destacam são o milho, usado para fazer pamonha, canjica e a popular pipoca. Também a mandioca, que é muito usada até hoje e aparece em pratos como o Tacacá, prato tradicional do Pará que usa a goma de tapioca e o tucupi, ambos derivados da macaxeira.

Com relação às bebidas, o suco do açaí e o famoso guaraná, eram cultivados no norte pelo povo Mawé, e hoje rompeu fronteiras e é consumido pelo mundo todo.

Arte

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O Globo - Divulgação/Leo Zulluh

Sagradas. Máscaras usadas em rituais por índios que vivem no Tocantins

Nas expressões artísticas, as influências da cultura indígena é enorme, já que muitos povos usavam da arte em diferentes rituais, sempre com muito simbolismo envolvido.

Um grande exemplo é a pintura corporal, feita normalmente com tinta vinda de plantas e frutos (como o jenipapo e o urucu) tinha finalidade de retratar sentimentos e momentos específicos nos rituais realizados.

Outra grande herança artística deixada pelos índios, foi o artesanato, muito praticado pelos povos do Brasil, que faziam colares, pulseiras, brincos e braçadeiras, normalmente ornamentados com penas e caudas de aves, dando origem a “arte plumária”, que servia para distinguir grupos sociais.

Os índios também tinham costume de fazer grandes máscaras de palha ou de madeira com cascas de árvores, usadas em danças, festas e cerimônias para acalmar entidades e espíritos.

Haviam máscaras tão grandes que cobriam todo o corpo dos índios Ticuna, sendo as de cerâmica exclusivas do povo Mati. Na música, os índios usavam muito instrumentos de sopro como várias flautas nativas e instrumentos de percussão como chocalhos, apitos e tambores que ditam até hoje os arranjos e os ritmos da nossa música popular brasileira.

Também deixaram grande influência na dança e no canto, como é o exemplo do povo Pataxó, que entravam em harmonia com a natureza e o divino através do “Awê” ou “Heruê”, buscando a união e a paz do povo, onde celebravam seus antepassados cantando e dançando, buscando forças para continuar em frente.

Línguas e Costumes

Muitos costumes básicos do nosso povo brasileiro também tem origem na cultura indígena, como o de dormir em redes, que por sua vez ficavam dentro das ocas, ou de andar descalço quando chegamos cansados em casa.

Da mesma forma, a nossa língua também sofre grande influência da cultura indígena, principalmente em palavras ligadas a flora e a fauna, como: abacaxi, tatu, mandioca, caju e muitas outras palavras usadas no cotidiano de todo brasileiro.

O próprio parque Ibirapuera de São Paulo  – que quer dizer “lugar que já foi mato”- ou o Rio Tietê – que significa “rio verdadeiro” – são derivados do Tupi-Guarani. Estes são grandes exemplos de como essa cultura está entrelaçada ao nosso cotidiano.

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